terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Urbanismo com Urbanidade


Significado de Urbanidade:

s.f. Qualie ou caráter de urbano.
Fig. Cortesia, del
icadeza, polidez. 

Sinônimos de Urbanidade:

Civilidade

Um exemplo de urbanismo com urbanidade: 
Gramado - RS

Pórtico de Entrada da Cidade

Aliás, todas as cidades ao logo da Rota Romântica e na Serra Gaúcha, são lindas, organizadas e limpas.
Cada cantinho é cuidado e enfeitado. Tem sempre um funcionário da prefeitura, ou do comércio local (ou o próprio dono), podando, varrendo, arrumando.


 Casa do tomate - Caminhos de Pedra - Bento









Casa do Mate - Caminhos de pedra - Bento


E não venham me dizer que é assim devido ao interesse turístico. Assim fosse, o Brasil inteiro, especialmente as cidades costeiras, seriam verdadeiros brincos. E quem já foi a algumas (muitas) destas, sabe do que estou falando...

Mas voltemos à serra. O lugar é lindo! Dá gosto de ver e ficar! 
Pode-se sentar nos bancos das praças. Primeiro porque eles existem. Estão intactos. E limpos. 
Ve-se crianças brincando no chão. Na calçada. Não tem caca de cachorro. Nem de bicho com polegar opositor.....


Praça Central - Gramado - Emfrente à Igreja de São Pedro, ao lado da Rua Coberta



Existe rampa de acesso a Portador de Mobilidade Reduzida (cadeira de rodas, carrinho de bebê e afins) em todas as faixas de pedestres (espalhadas pela cidade inteira)

Os moradores se irritam quando os turistas não preservam. A dona de uma loja lindinha (uma das muitas), me falou indignada que jogam as velas do Natal Luz no chão. "Não quer a vela? Joga no lixo ou devolve, mas não suje a cidade"

É um lugar exemplar! É trista, mas tenho que concordar com a frase " Nem parece Brasil". 












Moderno com Clássico

Uma combinação que fica boa é a do Moderno com o Clássico. e tá bem na moda.


Vale ter uma mesa de jantar, com tampo de vidro pintado, base novinha, cadeiras de linhas retas nas laterais e uma linda Luis XV na cabeceira.

Vale restaurar a peça velha da vovó. Vale comprar uma nova com cara de antiga (as famosas feitas com madeira de demolição). Mas o ideal é garimpar belas e boas peças nos antiquários. Mas aí, prepare o bolso!!!

Esta é da velhiquario.








Ali no Gilberto Salomão, todo último final de senmana do mês, tem coisas muito legais!No Design Xenter, é na primeira semana. As peças vão desde o rústico pesadão, às famosas originais assinadas (lindas e caras).


Pelo amor de Deus, não me vá fazer um ambiente toooooodo com móveis e enfeites antigos. Ele vai ficar carregado e brega, como um altar barroco. Ou com cara de fazenda (no caso das peças rústicas).



Se a peça for grande, deixe um espaço livre em volta. Se for um enfeite, como esta caixinha de música, escolha um móvel legal, limpo, com enfeites que não vão competir com ela. Também da  velhiquario.







Existem técnicas de envelhecimento, latonagem e pintura que podem dar um ar antigo e Clássico às peças. Não é a mesma coisa, mas se for bem feito, um leigo não percebe. Se foi você quem fez, acaba tendo um valor sentimental bem legal. A Lu Heringer tem peças lindas e ainda ensina a fazer. Taí uma técnica que não experimentei ainda. Como andei investindo em vários outros tipos de artesanato ultimamente, se eu comprar mais umazinha, meu marido me mata!

Enfim, como tudo, em arquitetura e decoração, menos é mais.
Use o bom senso, tenha bom gosto (ou peça ajuda de alguém  que tem)
Invista um dinheirinho em algo que vai durar.

E depois é receber os elogios das visitas!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Uma história engraçada

Falando em espaços pequenos...

Lembrei da reforma de um apartamento de 2 quartos feita há algum tempo.
Ele tinha um tamanho bom, mas a sala de era pequena para comportar estar e jantar. 
Além disso, a porta da cozinha era no final do corredor, pertinho da entrada dos quartos.
Resolvemos trazer a entrada da cozinha para perto da sala e abrir tudo para o corredor. 
Conseguiríamos mais privacidade nos quartos e ganharíamos parte do corredor para uma bela bancada americana. Ia ficar um luxo!

Bom, estava eu no trabalho e o pedreiro me liga, com um ar esbaforido e cansado e me diz:
"Dona, aqui onde a senhora mandou abrir uma 'portona', tem uma 'pilastra'. Eu já 'escaupelei' a bicha até chegar nos 'vergalhão'. Se a senhora trouxer uma serra boa, eu tiro ela com a maquita".

Eu entrei em desespero. Falei baixo e firme como quem fala com uma criança de 3 anos que segura uma tesoura amolada: "Não faça mais nada! Quando eu chegar aí, vejo do que você está falando...."

Chegando lá, tinha mesmo um pilar bem no meio da parede. O camarada tinha cavado o reboco e o concreto até chegar na ferragem em dois lugares. Perto do teto e perto do piso.... Pilar este, que segurava, nada mais, nada menos, que a Caixa d'água do prédio... kkkkkkkkkkk Eu comecei a rir de nervoso!

Mandei que ele refizesse o revestimento em volta do ferro. Ao invés de uma "portona", ficamos com uma passagem e uma janela. Não ficou exatamente como eu queria, mas ficou muito bom também.

E todos ficamos vivos! 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Espaços pequenos 1


Este cliente propôs um desafio: Transformar um WC de serviço num banho de suíte.... 
O espaço era apertado, pequeno, não dava margem para muita coisa....
Na hora já pensei que dava para fazer algo muito legal e diferente, mas para isso, precisavam ousar. 
Eles toparam. Fizemos!
O box do chuveiro ficou dentro do quarto. 
Como tinha uma janela enorme ao lado, não me preocupei com a umidade. 
Basta abri-la que todo o vapor se vai. 
O chuveiro foi colocado no canto. Dá ao espaço interno uma movimentação melhor.
A tubulação passou no chanfro do cantinho, revestido de pastilha. 
Ficou lindo, charmoso e súper romântico.
A pia, de sobrepor, atende bem a estes casos de espaço apertadinho. 
Ela se encaixa numa bancada de 40 cm de profundidade. 
A bacia sanitária existente era com caixa acoplada. Mantive. Ficou no limite, mas coube. 
O piso do chuveiro, foi feito em 3 peças de granito, dando caimento para o ralo. 
O pedreiro chiou um pouco (pra variar...), mas fez. E fez bem feito.
Este projeto, me fez feliz. 

domingo, 27 de novembro de 2011

Formalize sua obra


Recentemente, fui contratada para deixar, segundo o cliente "sua casa mais charmosa".
É um terreno maravilhoso de grande aqui no Núcleo Bandeirante (um dos únicos que existem por aqui)

Fiquei empolgadíssima!

Bolamos um monte de coisas legais. Criamos um banheiro louco, com banheira dentro do quarto. (a maquete é serviço do Amauri Santos, lá de manaus)



Tabalhamos até paisagismo...

O casal fez tudo direitinho e contratou uma empresa de engenharia.
Mas, por algum motivo que só a Nossa Senhora do Conreto Armado pode explicar, o engenheiro responsável parou de acompar a obra diariamente.

Os problemas começaram. Atraso no cronograma foi apenas o menor deles.

Os projetos começaram a não ser seguidos o que acarretou em erros gritantes, especialmente no acabamento.

Poderia se pensar: " Que prejuízo!". Mas sabem qual a única segurança deste cliente?

O CONTRATO

Isso mesmo. Ele se resguardou. Assinou um contrato detalhado dos serviços a serem executados. Com prazos e multas previstos. Assim, ele está protegido pela lei. Por duas vezes a obra não parou só com a ameaça de advogados.

A novela ainda não terminou. Sabemos, também, que nossa justiça muito tarda....
Mas, no total prejuízo, não ficará.

Assim, fica meu conselho: Faça contrato com todo mundo que for trabalhar para você. De preferência com uma empresa boa e bem indicada. Isso TE resguarda. Não só no caso de atrasos e não cumprimento. Mas, também, de acientes e causas trabalhisas.

Eu faço contrato para tudo. Copiando o colega Ricardo Meira, meus contratos são, boa parte, um lista de problemas que já tivemos (clientes e eu) e que prefiro evitar.

Melhor assim, não?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Filho também é projeto

Peço licença dos assuntos arquitetônicos para falar do meu maior e mais recente projeto: Elisa Reis.
A baxinha veio ao mundo com força total. Revirou minha vida. Redirecionou minhas metas. bagunçou um bocado e arrumou o resto. Palavras da Nina: "desisti de ter casa de arquiteto!"
Por ela, passei a ter rotina e a tentar ter calma.
Depois dela, entendi porque as mães gostam tanto de rezar e de cantar músicas calmas.
Com ela, tenho entendido que há coisas (muitas coisas) que não tem solução. Nem como prever. Usando as palavras da minha mãe: "Filho não nasce com uma receita pregada na bunda, que nem bolo de caixinha".
Ah se tivesse fórmula!!!

Sendo assim, está errado meu título. Filho não é projeto.

É obra. Sem papel para seguir, sem engenheiro para culpar.
O arquiteto é Deus. E Ele nem sempre nos mostra Seus planos.
Cabe aos pais, adminstrar. Esperar. Observar, Esperar. Agir. Esperar. Escutar. Esperar. Rezar e rezar e rezar... Esperar.....

Agora entendo a frase "Filho doente, é paulera!" Ficaria um mês sem dormir, se isso garantisse que ela ficaria bem.
Faço absolutamente qualquer coisa por uma gargalhada gostosa.
Nada paga o sorrizão no berço de quando acorda bem.
Qualquer coisa é pequena perto de um "mamã..." Ou um "papapapapa"

Já disse uma vez, em outro texto, de outro lugar: Deus deve ser maluco! Colocar em nossas mãos algo tão frágil e tão depedente e dizer: Cuida!" Continuo pensando isso.....

Ainda bem que ele também nos manda anjo da guarda que ajudam como podem, sempre que podem.... Que o diga as vovós, vovôs, madrinhas, tias, tios (os de sangue e os de coração).


Affffffffffffffff...............
Só um desabafo depois de uma pequena tempestade. Que, felizmente, passou!

terça-feira, 21 de junho de 2011

CASA ARRUMADA

... pego emprestado, porque gostei muito!

CASA ARRUMADA

Carlos Drummond de Andrade

Casa arrumada é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos, netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

Carlos Drummond de Andrade